Teste de porosidade do cabelo: o teste do copo funciona mesmo?
O teste do copo com água não é um método confiável para dizer se o seu cabelo tem baixa, média ou alta porosidade.
Mesmo assim, ele se espalhou tanto que parece uma daquelas coisas que “todo mundo sabe”: o fio que boia tem baixa porosidade, o que fica no meio tem média e o que afunda tem alta. A regra parece fazer sentido, então passa a ser repetida. Mas o que exatamente um fio afundar ou boiar está medindo?
Por que eu desconfio desse teste
Eu descolori o meu cabelo 8 vezes em 8 meses. Ele estava nitidamente danificado: áspero, todo esgaçado, com cara de cabelo bem poroso. Mesmo assim, quando fiz o teste do copo, qualquer fio da minha cabeça boiava, o que, pela regra popular, significaria baixa porosidade.
O resultado dizia uma coisa e o meu cabelo mostrava exatamente o contrário. Foi aí que passei a desconfiar do teste. Não sei explicar por que isso acontece, e o que vi no meu cabelo não prova nada sozinho. Mas é um bom exemplo de por que o copo não deveria ser a única informação para entender o seu cabelo.
O que é a porosidade do cabelo?
Porosidade é uma característica da fibra capilar ligada à forma como o cabelo interage com a água e com outras substâncias. Ela pode ser influenciada pela estrutura do fio e por danos de descoloração, coloração e outros processos químicos. A porosidade existe, mas isso não significa que dê para identificá-la vendo um fio afundar ou boiar em um copo.
Por que o teste parece fazer sentido?
A ideia é intuitiva: um cabelo mais poroso absorveria mais água, ficaria mais pesado e afundaria, enquanto um menos poroso ficaria na superfície. Parece lógico, e talvez por isso tenha se espalhado tão fácil.
O problema é que um fio de cabelo é minúsculo e leve, e o comportamento dele na superfície da água pode ser influenciado por vários fatores: tensão superficial, resíduos de produtos, oleosidade, condicionador e características do próprio fio. Ou seja, “afundou” não equivale a “alta porosidade”, assim como “boiou” não equivale a “baixa porosidade”. Dividir o resultado em três respostas parece científico, mas não é uma medição.
Isso não quer dizer que colocar um fio no copo seja proibido. É uma curiosidade. O problema começa quando o resultado é tratado como se fosse um exame.
Como o teste é feito (se quiser experimentar)
Se você quer fazer por curiosidade, não há problema. Só não use o resultado para escolher sozinha toda a sua rotina capilar.
- Separe alguns fios. Use fios que caíram naturalmente, de preferência inteiros. Não é preciso arrancar nenhum.
- Coloque água em um copo transparente, em temperatura ambiente.
- Coloque o fio com cuidado sobre a água e observe. Ele pode ficar na superfície, parcialmente submerso ou ir ao fundo.
- Compare com a interpretação popular, mostrada abaixo.
Essa é a classificação popular do teste: o fio que fica na superfície seria de baixa porosidade, o que fica no meio seria de média e o que chega ao fundo seria de alta. Mas essa divisão não transforma o teste em uma medição científica da porosidade.
Um fio representa o cabelo inteiro?
Outro ponto a questionar: o seu cabelo pode ter condições diferentes ao longo do comprimento. A região perto da raiz é mais nova, enquanto as pontas passaram mais tempo expostas a sol, calor, escovação, coloração e descoloração. Um cabelo com química, por exemplo, pode ter pontas bem mais danificadas do que a raiz.
Então, mesmo que um fio pudesse ser classificado com precisão, ele não representaria necessariamente o resto do cabelo. Olhar para um único fio não conta a história inteira.
Como observar melhor o comportamento do cabelo
Existem observações mais úteis no dia a dia do que classificar o cabelo pelo copo:
- Como ele fica molhado. A água se espalha fácil ou parece ficar sobre os fios? Eles ficam mais maleáveis ou continuam ásperos?
- O desembaraço. Depois do condicionador, os fios deslizam ou oferecem bastante resistência?
- O tempo de secagem. Dá para observar, mas não vale como regra de porosidade, porque depende de comprimento, volume, espessura, textura, ambiente e do jeito de secar. Cabelo que demora para secar não significa automaticamente baixa porosidade.
- Raiz, comprimento e pontas. Se o cabelo passou por química ou muito calor, as pontas podem se comportar de outra forma que a região da raiz.
Nenhuma dessas observações determina a porosidade sozinha, mas são informações práticas sobre a condição do cabelo. Para aprender a ler essas respostas, veja Autoconhecimento capilar: aprenda a entender o seu próprio cabelo.
E se o meu cabelo afundar no copo?
Não significa que você descobriu que tem alta porosidade, nem que precisa começar uma rotina cheia de reconstrução, óleos ou produtos específicos. E um fio que boia também não prova baixa porosidade. O resultado, sozinho, não permite essa conclusão.
Porosidade não decide sozinha quais produtos usar
Depois do teste, é comum encontrar listas dizendo o que cada porosidade “precisa”. Mas o cabelo não funciona de forma tão simples: o estado da fibra, o histórico químico, a frequência de lavagem, o uso de calor, a fórmula dos produtos e a resposta individual também importam. Um cabelo danificado pode ter alterações na interação com a água, mas isso não quer dizer que exista um produto capaz de “fechar os poros” e resolver o problema. Descobrir uma suposta categoria não deveria ser o ponto final da análise.
Afinal, vale a pena fazer o teste?
Se for por curiosidade, pode. Só não dê a ele uma precisão que não tem. O teste do copo mostra apenas como um fio se comportou na água. Ele não mede com precisão a porosidade do seu cabelo.
Você não precisa de uma etiqueta de “baixa”, “média” ou “alta” porosidade para cuidar melhor do cabelo. Se quiser um ponto de partida organizado, use o cronograma capilar personalizado.
No fim, a pergunta mais útil talvez não seja “qual é a porosidade do meu cabelo?”, e sim “o que o meu cabelo está me mostrando e o que eu posso fazer com essa informação?”