Espinha interna inflamada: o que fazer?
Você já teve aquela espinha que parece ter escolhido justamente o lugar mais inconveniente do rosto para aparecer? Ela dói, você sente o caroço quando passa o dedo, mas olha no espelho e não encontra nem uma pontinha para apertar.
E aí começa a peregrinação pela internet.
Gelo. Pasta de dente. Compressa. Pomada. Alguma mistura caseira. “Seca em 24 horas”. “Faz isso antes de dormir que amanhã desaparece”.
Uma coisa que eu nunca consegui entender muito bem é por que tantas coisas acabam sendo ensinadas na internet como se fossem remédios para espinha. Algumas até podem provocar uma sensação diferente na pele, mas isso significa que estão tratando a acne? Ou simplesmente parece que funcionaram?
Foi justamente por essa dúvida que fui entender melhor o que acontece com uma espinha interna e o que realmente faz sentido quando ela aparece.
O que é uma espinha interna?
A chamada espinha interna não é um nome médico específico, mas costuma ser usada para descrever uma lesão de acne que fica mais profunda na pele, geralmente acompanhada de inflamação e dor.
Em vez daquela espinha que forma uma pontinha branca ou amarelada, você pode perceber apenas uma região avermelhada, endurecida ou um caroço dolorido.
Isso acontece porque a inflamação está acontecendo mais profundamente. Dependendo da intensidade, a lesão pode se aproximar do que os dermatologistas chamam de nódulo ou cisto de acne, que são formas mais profundas e que podem deixar cicatrizes.
É por isso que existe uma diferença importante entre uma espinha superficial e aquela que parece estar “presa” lá dentro. A segunda não necessariamente vai desaparecer porque você conseguiu apertá-la até sair alguma coisa.
Por que uma espinha fica inflamada?
A acne não aparece simplesmente porque a pele está suja.
O processo envolve o folículo piloso, a produção de sebo, o acúmulo de células da pele e processos inflamatórios. Quando o conteúdo do folículo se acumula e a inflamação se instala, podem surgir as diferentes lesões que conhecemos como acne.
É justamente por isso que a ideia de “secar” uma espinha pode ser um pouco enganosa.
Uma pele extremamente ressecada não significa necessariamente uma acne tratada. E sentir ardência ou descamação depois de aplicar alguma coisa também não é prova de que aquilo está funcionando.
Aliás, existem ativos específicos utilizados no tratamento da acne, como peróxido de benzoíla, retinoides, ácido salicílico e ácido azelaico, dependendo do caso. Ou seja: existem tratamentos estudados para acne, e eles não são a mesma coisa que qualquer substância que cause ressecamento na pele.
Espinha interna inflamada: o que fazer?
Se a espinha está profunda e dolorida, a primeira coisa é resistir à vontade de transformar aquilo em uma pequena cirurgia doméstica.
Uma medida simples que pode ajudar é fazer uma compressa morna, com um pano limpo e água morna, por alguns minutos. A Academia Americana de Dermatologia orienta o uso de uma compressa morna e úmida por cerca de 10 a 15 minutos, até três vezes ao dia, para uma espinha profunda e dolorida.
Também é importante evitar ficar apertando, cutucando ou tentando furar a região.
Dependendo do tipo de acne, existem tratamentos tópicos que podem ser úteis. Entre os ativos utilizados no tratamento da acne estão adapaleno, peróxido de benzoíla, ácido salicílico e ácido azelaico. Mas isso não significa que todos eles sejam apropriados para qualquer pessoa ou que devam ser misturados de qualquer maneira.
E existe uma diferença importante entre cuidar de uma espinha que apareceu isoladamente e tentar controlar uma acne que vive voltando.
Se você tem lesões profundas recorrentes, muitas espinhas inflamadas ou está ficando com cicatrizes, talvez o problema já não seja simplesmente “como secar essa espinha”.
E o gelo? Ele realmente seca a espinha?
Aqui começa uma das coisas que me deixam curiosa nessas receitas da internet.
O gelo aparece constantemente como uma solução para espinha. Mas “desinflamar” e “secar a espinha” não são necessariamente a mesma coisa.
O frio pode produzir uma sensação de alívio e provocar alterações temporárias nos vasos sanguíneos da região. Isso pode fazer com que vermelhidão ou inchaço pareçam menores por um período.
Mas isso é diferente de tratar a causa da acne.
Então, se alguém coloca gelo e percebe que a espinha parece menos inchada depois, isso não significa necessariamente que o gelo “matou a espinha”.
É uma diferença pequena na linguagem, mas enorme na hora de entender o que realmente está acontecendo.
E por que pasta de dente virou “remédio” para espinha?
Essa é outra recomendação que sempre me pareceu estranha.
Pasta de dente foi desenvolvida para higiene bucal. Em algum momento, porém, surgiu a ideia de que passar o produto em uma espinha poderia fazê-la secar.
E eu acho interessante observar como esse tipo de receita ganha força: talvez porque alguma coisa produza uma sensação perceptível. A pele pode ficar mais seca, arder ou repuxar. Só que sentir alguma coisa acontecendo não significa automaticamente que a acne está sendo tratada.
A própria Academia Americana de Dermatologia orienta não usar pasta de dente como tratamento caseiro para acne e recomenda recorrer a ingredientes desenvolvidos para esse objetivo.
Isso também explica uma coisa que acontece muito na internet: uma receita pode começar com uma observação aparentemente lógica e terminar transformada em “tratamento”.
“Isso deixa a pele seca” vira “isso seca espinha”.
Só que uma coisa não é necessariamente consequência da outra.
Pode espremer uma espinha interna?
Eu sei que a pergunta parece quase desnecessária porque, quando existe um caroço dolorido no rosto, a vontade de apertar é enorme.
O problema é que uma espinha profunda não é como uma bolinha que simplesmente precisa encontrar uma saída.
Ficar apertando pode aumentar a inflamação e machucar ainda mais a pele. A manipulação também pode contribuir para marcas e cicatrizes.
E existe outro problema: você pode ficar tentando “tirar” alguma coisa que nem está acessível na superfície.
Por isso, a recomendação de não espremer não é apenas aquela velha frase de dermatologista que aparece em todo lugar. Há uma razão para ela.
A Academia Americana de Dermatologia também alerta que espremer lesões de acne pode piorá-las, enquanto lesões profundas, como nódulos e cistos, podem precisar de tratamento dermatológico justamente porque apresentam maior risco de cicatriz.
Então como tirar uma espinha interna?
Essa talvez seja a parte mais frustrante.
Nem sempre existe uma maneira de fazer uma espinha interna desaparecer rapidamente.
Se alguém promete que determinada receita vai eliminar uma lesão profunda em algumas horas, vale desconfiar da promessa.
Alguns tratamentos podem ajudar a controlar a acne e diminuir lesões ao longo do tempo. Para uma espinha profunda e dolorida, um dermatologista também pode utilizar tratamentos específicos para reduzir rapidamente a inflamação e a dor em determinados casos.
Mas isso é bem diferente de dizer que existe um ingrediente mágico que “puxa” a espinha para fora ou seca qualquer lesão de um dia para o outro.
Quanto tempo uma espinha interna demora para sair?
Não existe um prazo único que sirva para toda espinha interna.
A duração depende do tipo de lesão, da profundidade da inflamação e do quadro de acne da pessoa.
E talvez seja justamente por isso que aquelas promessas de “espinha seca em 24 horas” sejam tão problemáticas. Elas transformam uma coisa que pode ter comportamentos diferentes em uma espécie de receita universal.
Se a lesão está diminuindo gradualmente, isso é uma situação. Se está ficando cada vez maior, muito dolorida, aparece repetidamente ou está deixando marcas, já é outra.
Quando uma “espinha” pode precisar de avaliação?
Nem todo caroço, bolinha ou inflamação no rosto é necessariamente acne.
Existem outras condições de pele que podem ser confundidas com espinhas, incluindo foliculite e dermatite perioral. Lesões profundas de acne também podem exigir avaliação e tratamento específico, principalmente quando são recorrentes ou deixam cicatrizes.
Por isso, vale procurar um dermatologista se você tem espinhas profundas frequentes, lesões muito dolorosas, acne que não melhora com cuidados habituais ou marcas e cicatrizes surgindo com frequência.
Não é porque uma coisa parece uma espinha que precisamos necessariamente tentar resolver em casa com qualquer receita encontrada na internet.
Afinal, o que fazer com uma espinha interna inflamada?
Depois de pesquisar sobre isso, acho que a conclusão mais interessante é justamente separar coisas que a internet costuma colocar no mesmo saco.
Uma coisa pode aliviar temporariamente o desconforto.
Outra pode diminuir a aparência do inchaço.
Outra pode ser um tratamento para acne.
E outra pode simplesmente irritar a pele.
São coisas completamente diferentes.
Uma compressa morna pode ajudar uma espinha profunda e dolorida. Alguns ativos têm evidências e recomendações para o tratamento da acne. E, quando as lesões são profundas, recorrentes ou estão deixando cicatrizes, pode ser necessário um tratamento dermatológico.
Já pasta de dente, misturas aleatórias e promessas de “secar em uma noite” merecem pelo menos uma pergunta antes de serem repetidas:
isso realmente trata a acne ou só produz algum efeito que faz parecer que está funcionando?
Talvez essa seja uma pergunta que valha a pena fazer para várias outras “receitas milagrosas” de beleza que aparecem por aí.
Angel
Related Posts
Como o ácido salicílico age na pele?
Pomada secativa para espinha: funciona?