Skincare básico diário: passo a passo para iniciantes
Se você nunca fez skincare, provavelmente já percebeu que a internet não ajuda muito a entender por onde começar.
Você procura uma rotina básica e encontra gente usando sabonete, tônico, sérum, vitamina C, ácido, esfoliante, máscara, água termal, óleo, bruma e mais algumas coisas que você nem sabia que existiam.
Aí vem a dúvida: eu realmente preciso de tudo isso para começar a cuidar da minha pele?
Não.
Eu fui pesquisar para entender qual seria o básico de verdade, principalmente pensando em quem está começando e não quer gastar uma fortuna para montar uma rotina.
E a conclusão é bem menos complicada do que parece.
Uma rotina básica não precisa ter dez passos. Para começar, o mais importante é entender o que sua pele precisa e montar uma rotina que você consiga manter.
Antes de comprar qualquer coisa: você precisa saber o que está tentando cuidar
Essa talvez seja a primeira coisa que eu gostaria de ter entendido antes de olhar para uma prateleira cheia de produtos.
Skincare não deveria começar com “qual sérum eu compro?”.
Deveria começar com “o que está acontecendo com a minha pele?”.
Sua pele é muito oleosa? Fica repuxando depois de lavar? Descama? Tem tendência a espinhas? É sensível? Tem manchas? Ou você simplesmente quer cuidar melhor dela e não tem nenhuma queixa específica?
Porque uma pessoa com pele muito oleosa e outra com pele seca podem até usar alguns produtos parecidos, mas provavelmente não vão escolher exatamente as mesmas texturas.
E não tem problema nenhum começar sem saber perfeitamente qual é o seu tipo de pele. Dá para observar o comportamento dela e ir entendendo aos poucos.
O skincare básico de manhã
Vamos começar pelo mais simples possível.
Passo 1: limpar
De manhã, você pode lavar o rosto com um produto de limpeza adequado para a sua pele.
A ideia não é deixar o rosto “rangendo” de tão limpo. Aliás, essa sensação de limpeza extrema nem sempre é uma coisa boa.
Um produto de limpeza muito agressivo pode irritar a pele e deixá-la ressecada ou desconfortável. Por isso, a recomendação dermatológica é optar por uma limpeza suave e evitar esfregar o rosto.
E você não precisa ficar passando sabonete várias vezes para ter certeza de que limpou direito.
Água morna ou fresca, produto suave, dedos e delicadeza já resolvem a parte da limpeza.
Passo 2: hidratar, se a sua pele precisar
Aqui começa uma coisa que costuma confundir bastante quem está começando.
Pele oleosa também pode precisar de hidratação.
Hidratar não significa necessariamente passar um creme pesado e deixar o rosto brilhando.
Existem hidratantes em gel, loção e creme, e a escolha pode depender de como sua pele se comporta.
Se sua pele fica confortável depois da limpeza, talvez você prefira uma textura mais leve. Se fica repuxando, áspera ou descamando, provavelmente vai gostar mais de uma hidratação que dê uma sensação de conforto.
Para quem tem tendência a acne, também existem hidratantes descritos como não comedogênicos, ou seja, formulados para ter menor probabilidade de obstruir os poros.
E uma coisa que eu achei interessante pesquisando sobre isso é que até para quem está economizando existem opções simples. Não é necessário comprar um hidratante com vinte ingredientes diferentes só porque a embalagem parece sofisticada.
Passo 3: protetor solar
Aqui está o passo que eu não deixaria de fora de uma rotina básica de manhã.
Protetor solar não é um extra para quando você estiver fazendo uma rotina “completa”. Ele faz parte do básico.
A recomendação da dermatologia é procurar um protetor de amplo espectro, com FPS 30 ou mais.
E não precisa esperar um dia de praia para lembrar dele.
A exposição à luz acontece também na vida normal: sair para trabalhar, caminhar, dirigir, resolver alguma coisa na rua ou simplesmente passar parte do dia perto de áreas com entrada de luz.
Se existe uma coisa em que eu acho que vale mais a pena gastar o dinheiro disponível em uma rotina básica, é aqui.
E a ordem da manhã fica assim
- Limpeza
- Hidratante, se sua pele precisar
- Protetor solar
Pronto.
Não faltou um sérum secreto.
Não faltou uma essência coreana de oito etapas.
Não faltou uma máscara de argila às sete da manhã.
Agora vamos para a rotina da noite
A noite é até mais fácil.
Passo 1: limpar novamente
Se você passou o dia usando protetor solar, maquiagem ou simplesmente ficou exposta à sujeira, suor e oleosidade, a limpeza no fim do dia é importante.
Se estiver usando maquiagem resistente ou produtos que não saem facilmente com uma lavagem simples, pode ser necessário usar um produto específico para remover isso antes da limpeza.
Mas não precisa transformar a retirada da maquiagem em uma sessão de limpeza industrial.
O objetivo é remover o que precisa ser removido sem agredir a pele.
Passo 2: hidratar
Depois da limpeza, entra novamente o hidratante.
Se sua pele for seca, talvez você goste de uma textura mais cremosa. Se for oleosa, pode preferir uma textura mais leve.
E existe uma dica simples que aparece bastante nas orientações dermatológicas: aplicar o hidratante enquanto a pele ainda está levemente úmida pode ajudar a reter água.
Não precisa encharcar o rosto. É só não esperar ele ficar completamente seco e repuxando.
Então o skincare da noite também tem só dois passos?
Para uma rotina básica, sim.
Limpar e hidratar.
E aqui entra uma das coisas que mais me chamou atenção enquanto eu pesquisava sobre skincare para iniciantes: não parece existir uma necessidade de começar colocando vários ativos ao mesmo tempo.
Na verdade, a ideia de começar simples faz bastante sentido.
Quando você coloca cinco produtos novos de uma vez e sua pele começa a arder, descascar ou encher de espinhas, você nem sabe qual deles causou o problema.
Além disso, usar produtos demais pode sair caro e aumentar a chance de irritação. A própria American Academy of Dermatology recomenda uma abordagem simples para quem quer cuidar da pele sem gastar demais.
Mas e vitamina C, ácido, niacinamida e tudo aquilo?
Calma.
Você não precisa ignorar esses produtos para sempre. A questão é que eles não precisam ser o ponto de partida de todo mundo.
Depois que você já tem uma rotina básica funcionando, pode surgir uma necessidade específica.
Você quer tratar manchas? Tem acne? Está incomodada com textura? Linhas? Oleosidade?
Aí começa a fazer mais sentido pesquisar um produto ou ativo específico para aquela questão.
É bem diferente de comprar um sérum porque alguém no TikTok disse que toda mulher precisa dele.
Se eu estou começando, preciso de um sérum?
Não necessariamente.
Essa talvez seja uma das maiores pegadinhas para quem está entrando nesse universo.
Como os séruns costumam ser vendidos em embalagens bonitas e aparecem associados a ingredientes com nomes interessantes, pode parecer que uma rotina sem sérum está incompleta.
Não está.
Se você tem pouco dinheiro para gastar, eu não começaria por ele.
Primeiro montaria uma rotina que consiga manter. Depois, se existir uma preocupação específica que você queira tratar, pesquisaria qual ingrediente realmente faz sentido para ela.
E esfoliante? Precisa?
Também não é obrigatório.
Esfoliar virou quase sinônimo de “limpar profundamente” na cabeça de muita gente, mas esfregar a pele não significa necessariamente deixá-la mais saudável.
Inclusive, esfregar demais pode irritar a pele. Dermatologistas recomendam evitar a esfoliação agressiva e o hábito de esfregar o rosto para tentar deixá-lo mais limpo.
Se você está começando, eu sinceramente não colocaria um esfoliante como prioridade.
E tônico?
Também não é uma obrigação.
Existem tônicos com diferentes propostas e alguns podem fazer sentido dentro de determinadas rotinas. Mas aquele conceito antigo de que você obrigatoriamente precisa lavar o rosto, passar tônico, depois sérum, depois outro produto e só então hidratar não precisa ser a sua realidade.
Se você está começando e tem pouco dinheiro, não precisa comprar um produto apenas porque existe um espaço vazio imaginário entre o sabonete e o hidratante.
Quanto eu preciso gastar para começar?
Essa é uma pergunta difícil de responder com um valor porque os preços mudam muito de uma marca para outra.
Mas dá para pensar de outra forma.
Em vez de montar uma lista com dez produtos, comece com dois ou três produtos que realmente tenham uma função importante.
- um produto de limpeza adequado para o rosto;
- um hidratante, se sua pele precisar;
- um protetor solar.
É isso que eu consideraria o kit inicial.
Depois você observa sua pele.
Se tudo está confortável, você mantém.
Se alguma coisa incomoda, você investiga.
Se existe uma preocupação específica, aí sim pesquisa um produto direcionado para ela.
Isso também evita uma coisa muito comum: gastar R$ 200, R$ 300 ou mais em produtos e depois descobrir que você não consegue manter aquela rotina por mais de duas semanas.
Como escolher produtos sem gastar uma fortuna?
Eu não acho que o preço seja uma boa maneira de decidir se um produto merece entrar na sua rotina.
Uma embalagem cara não transforma automaticamente um cosmético em um produto melhor.
Para começar, eu prestaria mais atenção à função do produto, ao seu tipo de pele e à forma como sua pele reage a ele.
Se sua pele é sensível, por exemplo, pode ser interessante procurar produtos mais simples e sem fragrância. Fragrâncias podem irritar algumas pessoas, principalmente quem já tem pele sensível.
Para pele oleosa ou com tendência a acne, procurar produtos descritos como não comedogênicos pode ser uma estratégia útil.
E não precisa comprar tudo da mesma marca.
Skincare não é um conjunto de pratos combinando.
Uma rotina simples para você copiar
Se você chegou até aqui pensando “tá, mas me dá logo a rotina”, aqui está.
De manhã
- Lave o rosto com um produto suave.
- Use hidratante se sua pele precisar.
- Finalize com protetor solar FPS 30 ou mais e de amplo espectro.
À noite
- Limpe o rosto.
- Use hidratante.
Se você usa maquiagem, obviamente entra a remoção da maquiagem antes ou junto da etapa de limpeza, dependendo dos produtos utilizados.
E pronto.
Quando vale a pena acrescentar alguma coisa?
Depois que essa rotina estiver funcionando, você pode olhar para a sua principal queixa.
Se não tem nenhuma, talvez não precise acrescentar nada.
Essa parte é importante porque existe uma pressão enorme para sempre melhorar alguma coisa no rosto.
Um dia é poro.
Depois é textura.
Depois uma linha que você nem tinha reparado.
Depois vem a mancha, a olheira, a oleosidade, a falta de viço…
E quando você percebe, está tentando resolver dez problemas que talvez nem incomodassem você antes de começar a pesquisar skincare.
Não existe obrigação de transformar uma pele normal em um projeto interminável.
Uma coisa importante: não teste tudo de uma vez
Se você decidir acrescentar algum produto novo, tente não estrear cinco coisas simultaneamente.
Além de dificultar descobrir o que funcionou, isso pode aumentar a chance de irritação.
Até produtos que parecem inofensivos podem causar reação em algumas pessoas. A American Academy of Dermatology recomenda testar produtos novos em pequenas áreas antes de incorporá-los completamente à rotina.
E se um produto provocar ardência forte, vermelhidão, coceira, inchaço ou uma reação que não melhora, não é uma questão de “a pele precisa se acostumar”. É melhor interromper o uso e procurar orientação profissional se necessário.
Quando o básico não é suficiente
Uma rotina básica é ótima para começar a cuidar da pele, mas ela não substitui tratamento quando existe uma condição de pele que precisa ser investigada.
Acne persistente, manchas que estão mudando, coceira intensa, descamação importante, vermelhidão constante ou feridas são situações diferentes de simplesmente querer montar uma rotina de skincare.
Nesses casos, pode ser muito mais útil descobrir o que está acontecendo do que continuar comprando produtos aleatoriamente.
O que eu faria se estivesse começando do zero?
Eu começaria pequeno.
Primeiro escolheria um produto de limpeza que não deixasse minha pele repuxando.
Depois encontraria um hidratante que fosse confortável para a minha pele.
E colocaria um protetor solar na rotina da manhã.
Usaria isso por um tempo antes de sair comprando ácido, sérum, esfoliante e tudo o que aparecer pela frente.
Depois observaria.
Porque acho que essa é uma parte do skincare que acaba ficando escondida no meio de tanta propaganda: você precisa conhecer a sua própria pele antes de decidir do que ela precisa.
E isso não acontece em três dias.
No fim, skincare básico não precisa ser uma coleção de produtos.
Para quem está começando e tem pouco dinheiro, uma rotina simples pode ser justamente a melhor maneira de começar: limpar sem agredir, hidratar quando necessário e proteger do sol.
Depois, se existir alguma coisa que realmente incomode você, aí vale pesquisar o que pode fazer sentido acrescentar.
Porque, sinceramente, se cuidar da pele exigisse uma rotina de quinze passos, três aparelhos e um salário inteiro em cosméticos, eu também teria desistido antes de começar.
O básico não é pouco. É o começo.
Angel
Related Posts
Como o ácido salicílico age na pele?
Pomada secativa para espinha: funciona?